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Monday, March 16, 2015

Passos e os seus descontos

Passos e os seus descontos

Em toda esta situação dos descontos não pagos por Pedro Paços Coelho (PPC) ninguém ficou bem, nem o próprio nem o lider do maior partido da oposição, António Costa (AC).
PPC não ficou bem porque deixou no ar duas duvidas que, para mim, parecem as mais importantes:
1.       Porque demorou quase 3 anos a regularizar a divida?
Estava a espera que desaparecesse ou esperava que nunca mais ninguém perguntasse sobre este assunto?
O problema não é tentar fugir aos impostos porque toda a gente o faz, toda a gente comprou casas durante a primeira década deste milénio registando as mesmas por valor abaixo do que pagou, pagando por fora a construtores ou a imobiliárias. Era assim que o mercado funcionava e começava desde o principio da corrente de pagamentos.
a.       O Dono o terreno loteava e vendia ao construtor, facturando parte e recebendo o restante por debaixo da mesa.
b.      De seguida, o construtor fazia o prédio e vendia as casas a um preço real e outro de factura, recebendo por debaixo da mesa uma parte que ajudaria a repor o que pagou ao dono do terreno e que não declarou.
c.       Os novos proprietários pediam um empréstimo para a compra e outro para supostas obras que nunca existiam.
Na segurança social a situação era a mesma, só pagando quando intimado para o efeito e, se não era intimado, não se pagava.
Por isso, a pergunta importante não é saber porque PPC não pagou mas sim, porque demorou muito tempo para o fazer.

2.       A segunda questão que se coloca é onde PPC trabalhou e porque tenta esconder? Será que trabalhou em empresas facilitadoras de negócios, de lobby, de intermediários?
Em que trabalhou e porque o esconde.

No caso da oposição e, mais concretamente AC, fica mal na fotografia apenas por deixar cair o assunto sem fazer as perguntas importantes. A mensagem passada que não quer uma politica de casos, mesmo que seja verdade, soa sempre a que também há rabos presos no PS. E poderia ir pelos pontos anteriormente mencionados ou apenas por mais o seguinte:

“Num governo que apela sempre a transparência, no ataque a evasão fiscal e ao pequeno contribuinte, como é possível que tenham passado 3 anos entre o conhecimento da divida e o seu pagamento”.

Thursday, February 26, 2015

Comissãrios Políticos

Há quatro anos, quando se exerceu a pressão para chamar a Troika pelo PSD/CDS e como o apoio indirecto do PCP, Bloco e até o Mário Nogueira, havia um plano chamado PEC 4.
Esse plano, que hoje em dia não podemos dizer que iria funcionar ou não, foi descartado pelo actual primeiro-ministro que, conta-se, não resistiu a uma chantagem de Marco António Costa.

Mas, há que louvar uma estratégia utilizada pela direita em Portugal: usando o avanço da Internet e dos meios de comunicação digitais, foram aparecendo que nem cogumelos uma serie de comentadores e "opinion makers" nas redes sociais, que criticavam tudo que Sócrates e o seu Governo propunham, ajudando a diminuir a sua base de apoio, que por si já não era grande.

Foi dessa fornada que apareceu Rui Miguel Tavares por exemplo mas, foi dessa mesma fornada que "ressuscitou" Camilo Lourenço. Foi director da Exame e passou por várias rádios e televisões, dando conselhos de gestão de finanças pessoais.

Não pondo em causa a sua competência, estranhei que em Janeiro de 2015 fosse inaugurada uma rubrica no programa das manhãs da Antena 3, que oiço desde o inicio, de Diogo Beja. Estranhei não por ser quem é, mas pelo programa da Manhã ter sido sempre um estilo divertido e algo non-sense, que sempre gostei e continuo a gostar. Sendo assim, a par de rubricas como o a de Luis Franco Bastos, Sérginho, a Linha Avançada do grande José Nunes e o Mais ou menos 2 minutos dessa pequena grande Joana Marques, começou uma rubrica de economia.

A minha primeira reacção foi: bem, aqui está um programa para explicar a economia aos mais novos e tentar que as pessoas percebam algumas das decisões que sé tomam no País e na Europa. Mas, enganei-me redondamente.

O programa é nem mais nem menos que um uma defesa do Governo e das suas opções, um ataque cerrado a todas as opiniões da Esquerda e do governos, como a Grécia, que ousam desafiar o status quo.
A gota de agua, para mim, foi hoje ver a defesa que fez da Procuradora Geral Joana Marques Vidal. Numa altura em que a Procuradoria está debaixo de criticas pelas fugas no caso Sócrates, por ser tão agil a analisar uma queixa do Mário Machado, por em Portugal ser o unico dos Paises envolvidos no caso dos Submarinos, onde não há condenados, Camilo Lourenço veio louvar e enaltecer a entrevista da senhora Procuradora Geral ao Publico e a Renascença.

É, neste caso, uma perfeita instrumentalização da rádio e Tv Publicas, pelo governo. Tão semelhante a outras que existiram no passado por outros governos de todas as cores.

A mim, só me resta continuar a ouvir o excelente programa da Antena 3 e mudar de estação entre as 7.45 e as 8.00 da manhã para não ouvir os recados do Camilo Lourenço.